Actividades da Fundação Kissama
Coleiras colocadas em elefantes da floresta no Cuanza-Norte, Angola

Uma operação bem sucedida de colocação de coleiras em elefantes ocorreu nas densas florestas de Maria Teresa, Comuna do Zenza do Itombe, na província de Cuanza-Norte, Angola, em Março de 2020. Dois elefantes de floresta (Loxodonta cyclotis) foram equipados com coleiras GPS com o objectivo de monitorar os seus movimentos e comportamento. Espera-se que os dados espaciais que serão gerado permitam propor medidas adequadas para uma melhor conservação desta espécie ameaçada e atenuar o conflito entre a Homem-animal, especialmente devido ao aumento da actividade agrícola na área.

Estes dois elefantes foram chamados de Zenza (uma macho de 20 anos) com coleira colocada no dia 11 de Março e Itombe (um macho de 35 anos) com coleira colocada no dia 13 de Março. Embora ainda não tenha sido possível determinar o número de manadas na área, acredita-se que cerca de 50 elefantes de floresta estejam presentes na região. Nunca foram colocadas coleiras em elefantes de floresta em Angola e, portanto, os seus movimentos e necessidades espaciais são em grande parte desconhecidos.

Músculo, cérebro e perseverança foram necessários para realizar esta missão que incluía seguir pistas em condições meteorológicas extremas variando desde altas temperaturas e humidade elevada até chuvas torrenciais. Não foi uma tarefa fácil, mas a resistência manteve a equipa animada por oito dias consecutivos. Disparar os dardos enquanto se mantinha a equipa segura não foi tarefa fácil, pois os elefantes de floresta provaram ser difíceis de seguir, mesmo com pistas frescas, e suficientemente inteligentes para montar uma emboscada que fez com que todos corressem pela sua vida numa cena que se assemelhava a um desenho animado "do “Tom e Jerry”.

A equipa muitas vezes tinha que parar, esperar e ouvir antes de prosseguir. Engatinhando com as mãos e joelhos sem fazer o habitual "crack" de galhos secos também foi um desafio que permitiu que a equipa se aproximasse dos elefantes. Mas este não foi o único desafio, pois a maior tarefa era rastrear os elefantes através da floresta densa após o animal ter sido atingido com o dardo. Tanto o Zenza como o Itombe fugiram rapidamente percorrendo vários quilómetros, mas foram bem rastreados, as coleiras foram aplicadas e finalmente, o antídoto administrado para que pudessem voltar ao seu dia-a-dia.

Apesar do facto de estes elefantes estarem principalmente dentro de uma zona militar, ainda estão fortemente ameaçados por actividades humanas que incluem a invasão de terras para assentamento, actividades agrícolas e mineração (pedreiras). Existem também evidências do corte de madeira, caça furtiva e produção de carvão e lenha.

A equipa foi composta por um veterinário experiente, Richard Harvey, apoiado por um pisteiro do Parque Nacional do Luengue-Luiana, João Baptista, tendo sido foram assistidos por biólogos da #FundaçãoKissama  (Pedro Vaz Pinto, Juelma dos Santos, Isilda Cavaleca, Timóteo Júlio e Eduardo Kivete Lutondo) e pessoal do #INBAC (Bimba Gabriel e @Jorge Ilola). Os militares estacionados em Maria Teresa, sob a orientação do brigadeiro-general Ndalu, também foram um importante apoio à missão, e incluíram a importante participação no campo do Tenente Coronel "Granada", Capitão Bata e Capitão Panzo. Missão cumprida.

Esta actividade é uma parceria entre a Fundação Kissama e o Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC) e tem o apoio do Governo Provincial do Cuanza-Norte e das Forças Armadas Angolanas (FAA). Esta operação é apoiada por duas organizações internacionais, designadamente #SavetheElephants (STE) e #WildlifeConservationNetwork (WCN) como parte dos esforços de protecção de elefantes em África.

Se estiver interessado em apoiar ao nosso projecto de conservação dos elefantes de floresta, entre em contacto com: geral@fundacaokissama.co.ao.

22-03-2020